rios
✕
60
passarela do
samba
altitude:
800
100
m
900
200
☵
300
400
500
600
700
favela da rocinha
corcovado
passarela do
samba
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
rio
morro
do gambá
das dores
do turano
do telégrafo
do grotão
dona marta
do amor
do barão
da penha
do mirante
da viúva
da saúde
do elefante
do borel
do vintém
do formiga
do salgueiro
do cipó
mundo novo
do amorim
do cabaceiro
do quilombo
da freguesia
dos urubus
da providência
mata cavalo
do juramento
da margarida
do curvelo
do bananal
do querozene
da caixa d’água
das almas
sangrador
perdido
nunes
pechincha
algodão
quitungo
rainha
cabeça
faria
quitite
cachoeira
guerenguê
do retiro
trapicheiros
da barra
bicas
taquara
dos frangos
das pacas
do archer
das pedras
ramos
ninguém
pavuna
das sardinhas
canoas
do anil
emídio
tijuca
leandro
cascata
dos cachorros
monjolo
méier
dos macacos
palmital
arapogi
tingui
dos ciganos
jacó
sapopemba
sanatório
do queimado
muzema
papagaio
fortaleza
fazenda
da babilônia
do felizardo
cara de cão
de são januário
do boqueirão
pau da bandeira
da conceição
do fogueteiro
fundo da grota
da marimbeira
do caricó
da olaria
do zumbi
dos cabritos
do pavão
dos prazeres
jacaré
caldereiro
cambuí
valqueire
do pires
carioca
faleiro
orfanato
caveira
do mook
comprido
joana
escorremão
cascata
salgado
do açude
do alemão
da casa branca
do pica-pau
do jacaré
da serrinha
do pedregulho
do barro vermelho
da gávea pequena
do inácio dias
de são josé
do andaraí
do laboriaux
do corcovado
do chapecó
do pinto
do céu
*
pequena áfrica
região da antiga Praça 11 de Junho e seu entorno, habitada por uma grande população negra, oriunda em grande parte da Bahia, e também por imigrantes judeus, portugueses, espanhóis e italianos. Na Praça Onze, na casa da Tia Ciata – Hilária Batista de Almeida (1854–1924), cozinheira e mãe de santo baiana –, teria nascido o samba; e ali desfilaram as primeiras escolas de samba. Na década de 1940, a Praça Onze seria drasticamente reduzida, e toda a área desfigurada pela demolição de 525 prédios, na construção da Av. Presidente Vargas.
x
duto oblíquo:
(obliterada
dentro
do container
cor de abóbora)
subsiste
não obstante
a festa
na dança
alegre
do gari
que varre
o chão
todo ouvidos
estouvado:
o voo
(pálpebra
contra cílio
atraves-
sado)
do mamífero
alado
inverossímil
ante o arco
bífore
do arquiteto
antes a estrutura
errante (não teria
o cândido
marquês dito:
os fatos
encaminham
os homens?)
lá (sob
a larga avenida
exangue)
jaz a
pequena
áfrica
arco bífore do arquiteto
arco parabólico com um pendente ao centro,
no meio da Praça da Apoteose da Passarela
do Samba (Sambódromo), projetada por
Oscar Niemeyer.
primeiro
o que vem
depois:
a sentença
irrevogável
dos números
a triste alegoria
sobre rodas
o adereço
jogado fora
no largo
inepto da
apoteose
>
cândido marquês
Cândido José de Araújo Viana (1793-1875), Visconde com Grandeza e Marquês de Sapucaí, desembargador e político brasileiro, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e seu primeiro presidente. Comentando a Independência do Brasil, afirmou que "os fatos encaminham os homens e não os homens os fatos". O desfile das escolas de samba é realizado na rua Marquês de Sapucaí desde 1978.
todo olhos
(coágulo)
à luz branca
que comanda
o espetáculo:
arrasta-se
o argumento
(ala após
ala)
na artéria
reta
e inútil
de concreto
rompendo o véu da noiva
metáfora futebolística = fazer gol.
pira fúnebre de pneus
“micro-ondas”, método usado por traficantesdo Rio de Janeiro para queimarem vivasas pessoas condenadas à morte em julgamento sumário.
a arquibancada
derrocada
[o alambrado
em chamas]
a turba
encantoada
cala enquanto
a caravana
ladra embala
as ruas
na dança
macabra
e rubra
das falanges
e comandos
a coluna
de fumaça
subindo negra
aos céus [uivo
de cão] é pira
fúnebre
de pneus:
holocausto
móvel de um
josué
enfurecido
que muralha
alguma ousa
ou deseja
conter
[(...)
intervalo:
no escuro
fosso dos
tempos
subreptício
o
jogo
rasteja
a
sua
escusa
assinatura
(...)]
o grande arqueiro
plantado
na pequena área
[estático: de
mãos espalmadas
mais vazias
que o des-
terrado
olhar de um
suicida]: solitário
à espera
que o árbitro
soe [juízo
final] o fim
da partida
insurrecta
somente
a paisagem
que irrompe
do verde
e descreve
parábolas
em sua fome
incontida
de ar
[gigantesca
rocha
de duro híbrido
incorporado
gnaisse]
o astro que segura a rosa diminuta
na proa da nau desgovernada
referência a uma cena conhecida do filme Titanic e à política Rosinha Garotinho, governadorado Rio de Janeiro de 2003 a 2007.
é omnipresente
o simulacro
oco e alvo
que a urbe
estatui: christus
redemptor
hominis
no pináculo
da tentação
? ou
o astro
que segura
a rosa diminuta
na proa da nau
desgovernada?
auspicioso todavia
o sinal que abraça
o vão e anuncia
à cidade [que
não é de deus
tampouco dos
homens] o dia
da redenção;
acima [em
câmera-lenta]
passa [rompendo
o véu da noiva
]a gorda
indefensável
lua
onde
estrada
e encosta
se encontram:
conrado
[santo
de constância]
compra
o voluntário
cessar-fogo
da descrença
e pálido
espera
(prescrita
a efêmera
eucaristia)
que a nociva
aranha
saia inócua
de sua
boca
trampolim do diabo
Nome popular do antigo e perigoso Circuito da Gávea, onde era realizado o Grand-Prix do Rio de Janeiro, entre 1933 e 1954. Com cerca de 11 km de extensão, iniciava na rua Marquês de São Vicente, subia pela Estrada da Gávea, atravessava a Rocinha e contornava o morro Dois Irmãos pela av. Niemeyer e rua Visconde de Albuquerque. No circuito pilotaram o italiano Carlo Pintacuda, o alemão Hans Stuck, os argentinos Froilán Conzales e Juan Manuel Fangio, os brasileiros Manuel de Tefé, Chico Landi e Irineu Corrêa, que ali se acidentou mortalmente em 1935.
flechas de prata
Apelido dado aos carros de corrida Grand-Prix,da Mercedes Benz e Auto Union, de 1934 a 1939; e aos carros da F-1 da Mercedes Benz, na década de 1950.
outrora
o trajeto
supérfluo
das flechas
de prata
(para deleite
circunscrito
da elite)
agora:
aorta única
do labirinto
[caos
compartido]
fluindo
sem guarda
e sem grito
nas curvas
inflexas
do extrampolim
do diabo
casa de pedra
Edificação mais antiga da favela da Rocinha, construída em 1927, foi transformada emCasa de Cultura, em 2003.
persea gratissima
Nome científico do abacateiro. Gilberto Gil, então ministro da Cultura, se apresentou com artistas locais à sombra de um abacateiro,no quintal da Casa de Cultura, durante a sua inauguração.
conrado [santo de constância]
Conrado I de Altdorf (c. 900-975), bispo de Constância (Alemanha), canonizado em 1123. Segundo a lenda, uma aranha venenosa teria caído dentro do cálice quando ele celebrava a eucaristia; como o vinho já estava consagrado, viu-se obrigado a ingeri-lo. Picado pela aranha, ficou inconsciente durante vários dias, até que ela saísse de sua boca. O bairro de São Conrado, onde se localiza a maior parte da favela da Rocinha, deve seu nome à igreja consagrada ao santo, erigida em 1903 pelo comendador Conrado Jacob Niemeyer, responsável também pela construção da avenida que leva seu sobrenome.
sela
indômito
e dilacera
o dorso
inerme
da montanha
[trama
sobrescrita
em cursiva
alvenaria
(não
euclidiana)]
sela
cravejada
de tijolos
e concreto
armado
até
os dentes:
cidadela
teia
mas salta
aos olhos
a casa
de pedra
que acolhe
os canos
do pacíficoirisado
instrumento:
a árvore
[na borda do
palco (persea
gratissima)]
borda a copa
com folhas
que entoam
no alto
histórias
inscritas
a fogo
no tronco
(não euclidiana)] sela
referência à geometria hiperbólica desenvolvida por Gauss, Bolyai e Lobachevsky, que não é definida sobre o plano euclidiano nem sobre a esfera (Riemann), mas sobre uma superfíciede curvatura negativa, semelhante a uma sela de cavalo: hiperboloide.
pacífico-irisado instrumento
Instrumento musical feito de tubos coloridos por um morador da comunidade, exposto no evento que inaugurou a Casa de Cultura da Rocinha.